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Pessoas que tomaram ivermectina ou cloroquina tiveram taxas mais altas de infecção por covid-19

Análise da Fiocruz Amazônia e da Universidade Federal do Amazonas mostra que os que tomaram ivermectina ou outros remédios foram mais acometidos pela doença

Por Jorge Matos em 27/02/2021 às 21:19:16
Ilustração: gov.br

Ilustração: gov.br

Um estudo desenvolvido pela Fiocruz Amazônia e pela Universidade Federal do Amazonas observou que pessoas que afirmaram ter tomado ivermectina ou outros remédios como "tratamento preventivo" para evitar a covid-19 tiveram maiores taxas de infecção que aquelas que não tomaram nada. O resultado faz parte de um trabalho que avaliou os fatores de risco da pandemia em Manaus e que foi enviado recentemente para sua publicação em uma revista científica internacional. No momento, o estudo ainda está sendo avaliado por especialistas da área, pelo que os resultados não são definitivos.

Apesar de que o uso desses remédios tem se demonstrado ineficaz para combater o coronavírus, eles têm sido endossados em múltiplas ocasiões pelo presidente da República e são recomendados pelo Ministério da Saúde como "tratamento medicamentoso precoce de pacientes com diagnóstico de covid-19".

"Se eu acredito que essa droga previne, o que é que acontece? Eu baixo a minha guarda. Porque eu tomei a medicação que eu acredito que me protege", explica Jaila Dias Borges, professora da Universidade Federal do Amazonas e uma das autoras do artigo. "Não vou me preocupar tanto com as intervenções não farmacológicas porque eu já estou tomando algo que eu acredito mais do que a máscara".

Um total de 3.046 moradores da cidade participaram do estudo. Os pesquisadores analisaram amostras de sangue dos voluntários para detectar a presença de anticorpos frente ao coronavírus, sinal de uma infecção prévia. Além disso, os voluntários tiveram que preencher um formulário com informações pessoais. Isso permitiu conhecer o perfil socioeconômico das pessoas que já foram infectadas pelo vírus.

O estudo aponta que 25,99% dos voluntários que afirmaram não ter tomado nenhum medicamento para prevenir a covid-19 apresentaram anticorpos frente ao vírus. Essa porcentagem subiu até 38,64% no grupo dos que afirmaram ter consumido algum tipo de remédio para evitar a doença. Os remédios mais usados foram, além do paracetamol, a ivermectina e a azitromicina, nenhum dos quais têm eficácia comprovada contra o coronavírus.

Fonte: El País Brasil

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Isael Barros