Pesquisa Lauro Hoje

Mercado: alta do dólar gera aumento no preço de alimentos

Produtos importados e eletrônicos também aumentam valor de consumo.

Por Elaine Araújo em 15/10/2020 às 10:32:04
Rob / Pixabay

Rob / Pixabay

Viajar, comprar e se alimentar são ações que sofrem impactos diretos com a alta do dólar. Desde dezembro de 2019, a moeda brasileira perdeu 28% do seu valor e atualmente negocia o valor comercial do por cerca de R$5,80. Quando falamos em turismo o valor pode chegar a R$5,80.

De que forma a alta do dólar impacta na mesa dos brasileiros?

No Brasil, há uma série de itens cuja formação de preços acaba sendo influenciada pelas cotações internacionais, como é o caso dos combustíveis e das commodities em geral.

A desvalorização do real gera uma maior demanda internacional que tende a elevar os preços e receita [em reais] de quem vende para fora. É o que acompanhamos no caso do "arroz", que subiu cerca de 120% do seu preço.

Esse aumento faz com que o produtor dê preferência a exportação. Quando isso acontece o mercado interno fica pouco abastecido, o que, por sua vez, empurra o preço para cima, refletindo diretamente no consumo doméstico.

Além do arroz, as observações servem também para o milho, a soja, ou o açúcar. Isso não quer dizer que outros produtos não possam sofrer impactos, contudo explica os reajustes.

O que acham os especialistas?

De acordo com o professor do Departamento de Economia da USP e economista do portal porque.com.br, Mauro Rodrigues, em 2020, o impacto das variações do dólar está sendo absorvido pelas próprias empresas

Ele explica que diante do avanço do desemprego e da queda na renda que reprimiram a demanda, os vendedores não conseguem repassar o aumento de custos para os consumidores. Muitos preferem reduzir a margem de lucro a perder negócio.

É apenas no Brasil?

Dezenas de países viram o dólar ficar mais caro desde o início da crise provocada pela pandemia de covid-19. É difícil, entretanto, encontrar algum com uma desvalorização da moeda tão intensa quanto o Brasil.

É o pior desempenho entre as 30 moedas mais negociadas do mundo mais o peso argentino, conforme levantamento feito pelos professores da Fundação Getulio Vargas (FGV) Henrique Castro e Claudia Yoshinaga a pedido da BBC News Brasil.

Claudia comenta que o real costuma ser muito afetado pelo que acontece no exterior porque o país depende de investimentos estrangeiros para captar dólares.

Diante da conjuntura atual, investidores costumam tirar o dinheiro de mercados emergentes, como o Brasil, e levá-los a mercados considerados mais seguros.

"Com menos dólares circulando, o preço sobe".

A estimativa do Institute of International Finance (IIF), que tem projeções para o investimento em portfólio divididas entre residentes e não-residentes, é que os estrangeiros, sozinhos, retirem US$ 24 bilhões do Brasil entre janeiro e dezembro de 2020.

Para Martin Castellano, chefe do departamento de pesquisas do IIF para a América Latina, um dos fatores que explicam a fuga de investidores — e, por consequência, a desvalorização do real — é o risco fiscal.

O governo e o mercado

Para economista, incerteza em relação às contas do governo torna Brasil mercado mais arriscado

Assim como a grande maioria dos países, o Brasil abriu as torneiras do gasto público para tentar amenizar o impacto da crise na economia.

"O que tem gerado incerteza é a capacidade do país retornar à austeridade fiscal quando a pandemia acabar", ele pondera, referindo-se às discussões sobre a possível flexibilização do teto de gastos.

A falta de uma visão unitária no governo sobre esse assunto também prejudica a imagem do país, ele diz.

De um lado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e sua equipe defendem que se respeite o limite para o aumento de gastos imposto pelo teto; de outro, uma ala do governo advoga pelo aumento do investimento público, ainda que à custa do teto.

A professora ressalta que o fato de que o Brasil não tem conseguido segurar o investimento estrangeiro em um momento em que o país está muito barato deveria ser um "sinal de alerta".

Em tempo

Na tentativa de movimentar o economia e poupar os gastos dos cofres públicos, o Banco Central lançou recentemente a nota de R$200. Desde o início da decisão debates sobre a pertinência ou não da moeda ganharam espaço no setor político. Após seu lançamento as discussões se intensificaram e a moeda que nem chegou ao bolso de 50% dos brasileiros, já deve sair de circulação.

Banco Central do Brasil deverá retirar de circulação a nota de R$ 200, de acordo com um pedido protocolado através de uma ação civil pública pela Defensoria Pública da União (DPU), segundo o G1.

A DPU pretende inviabilizar o uso da cédula lançada recentemente no mercado financeiro brasileiro, alegando que "falta acessibilidade" em relação ao tamanho da nota de R$ 200, que possui a mesma medida que a nota de R$ 20.

Além disso, caso o projeto não seja revisto pelo órgão, a ação civil pública prevê o pagamento de uma multa diária fixada em R$ 50 mil. Até a definição, também fica proibida a criação de novas cédulas.




Editado por Elaine Araújo - BBC / G1

LauroZap Fullbanner

Comentários