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Moradores de Caji, em Lauro de Freitas, reclamam de poluição de fábrica de isopor e concreto da região

Além da poluição do ar, os moradores também contam que a fábrica Refran também lança no ar um resíduo em pó que pode causar problemas respiratórios na população

Por Rodrigo Pimentel em 05/10/2020 às 11:30:02

Um grupo de moradores de um condomínio no bairro do Caji, em Lauro de Freitas, município da Região Metropolitana de Salvador, reclamam da poluição causada por uma fábrica de isopor e concreto, instalada na região desde 1994.

Além da poluição do ar, sendo possível ver uma densa nuvem de fumaça causada pela empresa, os moradores também contam que a fábrica Refran também lança no ar um resíduo em pó que pode causar problemas respiratórios na população.

"Falta de ar, dor de cabeça. Eu já tive duas vezes, em um ano que moro aqui, na emergência com falta de ar. A médica disse que é um processo alérgico muito forte. Tenho cansaço para falar, os olhos ardem muito, muita dor de cabeça. É muito difícil", disse Arthur, um dos moradores do bairro.

Há dois anos, o grupo recorreu ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) por causa dos prejuízos causado pela poluição. Uma das moradoras, Rilza Meire, que também é síndica do condomínio, já registrou reclamação no Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e teve audiência pública com a prefeitura.

"O Ministério Público encaminhou para a Secretaria de Meio Ambiente. Eles mandaram aqui uns técnicos, mas nenhuma medição de ar foi feita. Fiz uma queixa também no Inema, aí eles me encaminharam o ofício e o protocolo. Atrelado a isso, foi feita também uma petição para medição de ar, porque nós precisamos de um laudo técnico", afirmou a síndica.

Com uma amostra do material recolhido nas casas, a moradora do condomínio conta que, no mês de fevereiro deste ano, a fábrica informou que sairia do local em abril.

De acordo com a empresa, a mudança foi adiada para junho, por conta da pandemia da Covid-19, no entanto, a mudança foi novamente adiada para o primeiro semestre de 2021. Em setembro, Rilza teve novo encontro com o dono da fábrica para discutir a situação.

"Ele propôs placas de cimento para que nós fechássemos a área do condomínio e eu disse a ele que não tinha condições, mas que nós ficaríamos muito agradecidos se ele fizesse um filtro, porque quando ele tapa o local da produção, ameniza", disse a moradora.

Os principais horários que a fábrica lança a poeira escura no ar é durante o início da manhã e no fim da tarde, como conta o policial Antônio Santos, que também mora no condomínio. "A partir de 5h da manhã, nós já somos impactados por essa triste realidade. Já começamos a cansar, dores de cabeça, náuseas", pontua ele.

Por meio de nota, a Refran explicou que a unidade de Lauro de Freitas tem todas as licenças necessárias e cumpre todas as normas exigidas pelos órgãos competentes para a atividade produtiva com poliestireno (material que dá origem ao isopor) e acrescentou que, atualmente, a empresa está em processo de mudança para uma área maior.

Também em nota, a Secretaria de Meio Ambiente de Lauro de Freitas informou que, recentemente, testes foram realizados e indicaram que parte das irregularidades foram sanadas e, em relação à fuligem que sai pela chaminé da empresa, a secretaria disse se trata de vapor de água sem efeito nocivo para a saúde.

Sobre o mau cheiro, a secretaria informou que a fábrica pediu ampliação do prazo para implantação das medidas solicitadas pela prefeitura porque está com dificuldade de contratar uma empresa especializada para realizar o procedimento e ainda afirmou que a licença ambiental da empresa está vencendo e que, para ser renovada, serão exigidas medidas que assegurem o conforto e segurança dos moradores do entorno.

Fotos: Reprodução/ TV Bahia

Fonte: G1 Bahia

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