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70 anos após a sua morte, Lauro de Freitas ainda marca a história

Por Rodrigo Pimentel e Fátima Paiva em 11/09/2020 às 20:31:04

Nesta sexta-feira (11), se completa os 70 anos da morte de Lauro Farani Pedreira de Freitas, político alagoinhense falecido aos 49 anos em um acidente aéreo, em Bom Jesus da Lapa, durante a campanha de 1950 para o governo da Bahia. Por unanimidade, vereadores e deputados, votaram a favor da proposta de rebatizar o distrito de Santo Amaro de Ipitanga, após a sua emancipação de Salvador, para Lauro de Freitas, em 1962.


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Lauro Farani nasceu em Alagoinhas, no estado da Bahia, no dia 15 de abril de 1901, filho de Graciliano Pedreira de Freitas e de Marianina Farani Pedreira de Freitas. Foi em Alagoinhas, sua cidade natal, que Farani fez os seus primeiros estudos antes de ir para Salvador estudar no Colégio Antônio Vieira.

Apesar de ter se formado em engrenharia civil pela Escola Politécnica da Bahia em março de 1922, Lauro de Freitas começou a trabalhar como desenhista na Compagnie de Chémins de Fer Fédéraux de L"Est Brésilien (CCFFEB), antiga empresa franco-belga, sediada em Salvador, que explorava as principais linhas férreas do Estado da Bahia. Pouco tempo depois, tornou-se em inspetor federal de obras-de-arte, em 1921, junto ao Ginásio da Bahia e, no ano seguinte em diante, junto a Escola Politécnica da Bahia.

Posteriormente, Lauro foi nomeado professor pelo concurso de Cosmografia e Geofísica do Ginásio da Bahia, onde lecionou de 1927 até 1937.

Com mais foco nas atividades relacionadas com o setor de transportes ferroviários, Farani ingressou em 1922 na CCFFEB, onde exerceu diversas funções e chegou a atingir o posto de superintendente, no qual permaneceu até 1935, até a empresa ser sucedida pela Viação Férrea Federal Leste Brasileiro, onde atuou como subdiretor e posteriormente em diretor. Além disso, Lauro também foi presidente da Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários da Bahia e de Sergipe, participou dos Congressos dos Ferroviários de Campinas e Curitiba e prestou serviços no gabinete do ministro da Viação e Obras Públicas, João de Mendonça Lima.

Deu início a sua vida política em dezembro de 1945, quando elegeu-se Deputado Federal pelo Partido Social Democrático (PSD) e foi morar em Rio de Janeiro. Após a constituição de 1946, Lauro renuncia ao seu mandato e volta para o Leste Brasileiro. Já com a sua experiência e capacidade profissional, fez a sua administração transformando as linhas férreas, locomotivas e automotrizes. Trouxe a energia elétrica para o litoral baiano, e abastecimento de água para muitos municípios, levando assistência para as famílias e também assistência médica.

Em 27 de maio de 1950, Lauro foi escolhido pelo seu partido para ser candidato ao Governo da Bahia, e se tornou o candidato de preferência da população. Foi numa viagem da sua campanha política pelo interior baiano que Lauro sofreu um acidente aéreo que encerrou a sua jornada. O acidente teve outras vítimas, entre eles o Deputado Estadual Gercino Coelho e Guilherme Brandão de Castro, amigo e piloto do avião.

Em um escrito homenageando Lauro de Freitas, a sua bisneta Priscila Magalhães cita esse momento trágico "No dia 11 de setembro de 1950, Lauro de Freitas, aos 49 anos, partia da cidade de Bom Jesus da Lapa para as cidades de Carinhanha, Santa Maria e Santana, onde finalizava a sua campanha política pelo interior baiano. Quis o destino que ali, nas margens do São Francisco, ficasse encerrada não apenas a sua campanha, mas a sua jornada nesta terra. O pequeno avião que o conduzia caiu dos céus, consumiu em chamas o seu corpo e a grande promessa que congregava a maior parte da população baiana em torno da sua candidatura".

A bisneta Priscila também faz questão de falar sobre as homenagens feitas ao seu avô, "sua atitude leal e honesta, o faz ser lembrado. Diversas homenagens foram feitas, como o busto erguido em frente a estação da Leste Brasileiro, na praça da Calcada em Salvador-BA. Doze anos depois da sua morte, vereadores e deputados, homenagearam por unanimidade, a proposta de dar o seu nome ao antigo distrito Santo Amaro de Ipitanga, emancipado pela lei 1,735 em 31 de julho de 1962". E assim a memória da grande personalidade que foi Lauro de Freitas ficou eternizada em agradecimento pelas suas contribuições.

Lauro Farani Pedreira de Freitas era casado com Maria Elvira Pena, com quem teve cinco filhos, e setenta anos após sua morte trágica, em uma entrevista feita pelo Lauro Hoje com a irmã de Priscila, Fernanda Farani, é possível ver que a sua memória continua bem viva.

"Tenho um sonho de fazer o Museu do Meu Biso! Temos muito material, desde cartas de presidentes da época, fotos, revistas, DVDs, jornais, materiais de campanha, etc. Muito tempo que estamos tentando fazer esse museu, essa homenagem! ", afirmou Fernanda de forma apaixonada.


Fonte: Fernanda Farani e Priscilla Farani

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