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Aulas pós pandemia: o que esperar?

Haverá uma adaptação curricular ao calendário e novas formas de abordagem pedagógica serão implantadas.

Por Jorge Matos em 08/09/2020 às 09:46:09
Fotos: Agência Brasil

Fotos: Agência Brasil

A capital baiana, Salvador, assim como em quase toda a sua Região Metropolitana, está no início da Fase 3 do plano de retomada das atividades sociais e econômicas, acordado entre a prefeitura e o governo do Estado. Dessa forma, está permitida a reabertura dos clubes sociais para a realização de práticas esportivas, individuais ou em dupla, com exceção daquelas que exijam contato físico. Os shoppings centers podem funcionar em horário reduzido: de segunda a sábado, das 12h às 20h. Também podem funcionar comércios de rua de até 200 metros quadrados (m²), igrejas, drive-ins, restaurantes e lanchonetes, academias, salões de beleza e barbearias, entre outros negócios.

A partir do dia 2 de setembro eventos e atividades com a presença de público superior a 100 pessoas foram liberados, desde que previamente autorizados, tais como: eventos desportivos, religiosos, shows, feiras, circos, eventos científicos, passeatas. Também estão autorizadas aulas em academias de dança e ginástica.

Até o dia 13 de setembro, 358 municípios estão com transporte suspenso no Estado. Nesses municípios estão proibidos a circulação, a saída e a chegada de qualquer transporte coletivo intermunicipal, público e privado, rodoviário e hidroviário, nas modalidades regular, fretamento, complementar, alternativo e de vans.

Mas, e a volta às aulas? Quando e de que forma se dará? E, após o retorno, como será? É óbvio que terá que haver uma adaptação curricular ao calendário e, claro, novas formas de abordagem pedagógica serão implantadas.

E ponto pacífico que o retorno não será uma simples volta ao momento em que as aulas foram interrompidas. Vários meses se passaram e muitas mudanças impactaram as crianças e suas famílias, os professores e demais profissionais envolvidos, e o próprio País, onde a pandemia evolui de maneira diferente em cada região e nos diversos estados.

Em virtude do risco ainda presente de infecção pelo coronavírus, as escolas terão de organizar novas rotinas e os educadores terão não só de replanejar o ano letivo, mas também considerar os efeitos diferenciados que a pandemia e o afastamento da escola produziram sobre as crianças. Normas gerais serão estabelecidas pelas secretarias de educação dos estados e municípios. Serão condições necessárias para o retorno às aulas, mas os professores e gestores não estão passivamente no aguardo das orientações superiores. Ao contrário, estão ativamente discutindo e buscando soluções para os desafios que terão de enfrentar.

O Portal Lauro Hoje, neste momento tão complexo e desafiador, resolveu dar voz aos profissionais que estão na ponta – professores, coordenadores, administradores e diretores –, pois são eles que vivem e conhecem o mundo real da educação. Nesse sentido, fizemos uma pergunta básica aos educadores: "quais os principais desafios da escola após a pandemia? "

Maria da Penha, funcionária da escola municipal Eraldo Tinoco, na Sussuarana, Salvador, acha que "as regras para o retorno não devem prejudicar mais ainda as crianças que já tiveram suas rotinas alteradas". Segundo Penha, que atua na área administrativa da escola, "poucas crianças tem computador, e até mesmo celular para estudar em casa; a rotina, em sua maioria, foi brincar, assistir TV... talvez seja o caso de garantir um ano a mais da educação infantil para todos".

Para a professora Vanja Nolasco, de Santa Cruz Cabrália, Sul da Bahia, "a alternativa da educação a distancia traz o risco de se implantar uma pedagogia transmissiva em detrimento das participativas". Com relação à dificuldade para a produção de conteúdo online para fazer frente a uma possível "segunda onda pandêmica" após o retorno, Vanja disse que "alguns professores tiveram mais facilidade, outros menos, mas houve um esforço coletivo, um ajudando o outro... hoje teríamos mais facilidades em produzir o conteúdo".

Aulas remotas

O professor e jornalista Marcos Uzel Pereira da Silva (52), acredita que as plataformas utilizadas em aulas remotas são bem vindas, mas reafirma a sala de aula como o lugar onde a educação "se faz luz". De acordo com o professor, faz-se necessário "assimilar todos os aprendizados resultantes das experiências com as aulas remotas, pois as plataformas se mostraram ferramentas potentes durante a pandemia e são muito em vindas para abrir caminhos e ampliar horizontes. Mas, também reafirmar o valor das aulas presenciais como verdadeiros faróis para que a educação faça valer toda a sua complexidade; afinal, a sala de aula das escolas e universidades continua sendo o lugar onde a educação se faz luz a cada encontro olho no olho entre alunos e professores. Esse continuará sendo um grande desafio para todos nós: valorizar cada vez mais o ato de educar como o lugar da convivência, da socialização e do acolhimento. O lugar do respeito a diversidade e do exercício da empatia, valores que não poderão ser perdidos quando tudo isso passar", finalizou o professor, que tem pós-doutorado pela Universidade Federal da Bahia,.

Economia

A suspensão das atividades escolares provocada pela pandemia do novo coronavírus deve causar impactos na economia mundial que podem durar até o final do século. É o que afirma relatório divulgado na terça-feira, 8, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). De acordo com economistas que ajudaram na elaboração do estudo, esse efeito não será notado a curto prazo, mas os impactos econômicos serão sentidos por muitos anos.

"A perda de aprendizado levará à perda de habilidades, e as habilidades que as pessoas têm se relacionam com sua produtividade", disse o relatório, ao citar a queda na produção global.

Governos em todo o mundo fecharam escolas para conter a disseminação da covid-19. As instituições de ensino brasileiras, por exemplo, ficaram fechadas por mais tempo que a média dos outros países estudados e isso vai impactar a aprendizagem e habilidades dos alunos. O fechamento de escolas e universidades foi uma das alternativas encontradas pelas autoridades no mundo todo para desacelerar a contaminação pelo coronavírus.

A suspensão das aulas também trouxe à tona as lacunas de oportunidades educacionais entre ricos e pobres. As crianças com acesso à internet, computadores e famílias que as apoiavam se saíram melhor. "Os alunos de origem privilegiada poderiam encontrar um caminho para além das portas fechadas da escola, com alternativas de aprendizagem. Aqueles de origens desfavorecidas ficaram excluídos quando as escolas fecharam", disse o relatório.

Conclusão

Por tudo o que foi dito, concluímos que as aulas on-line, no que pese sua importância, não substituem adequadamente as aulas presenciais, até porque apenas transmissão de conteúdo não é suficiente. E necessário o fortalecimento das escolas, que é o verdadeiro lugar onde a educação acontece. E importante, também, o diálogo com as famílias, hoje favorecido por ferramentas on-line, e a formação continuada dos professores. Obviamente, tudo isso se dará obedecendo-se protocolos rigorosos, porém flexíveis.


Fonte: Redação com informações da agencia Brasil

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