Pesquisa Lauro Hoje

No entanto, ainda há vida...

Por Elaine Araújo em 05/08/2020 às 18:10:16

Hoje era um dia como outro qualquer, estava sentada à mesa da sala enquanto aproveitava mais um dos infinitos dias de quarentena em "home office". Um privilégio para poucos durante a pandemia. Enquanto o dia passava ia procurando notícias para divulgar no portal Lauro Hoje, como de rotina. Antes de começar, sempre tem aquele trabalho de pesquisa, a tal da ronda: "vamos ver os acontecimentos do dia".

Pandemia, assassinatos, feminicídios, furtos, decisões errantes do governo, descaso com os menos favorecidos, morte, morte e morte... é uma labuta para encontrar uma boa notícia. Para suavizar sempre dou uma passadinha no @ de Winderson Nunes, afinal temos que "seguir o baile" e manter o fluxo do dia.

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Vamos voltar um pouquinho? Um dia antes, na tarde de terça-feira (04), uma notícia "bomba" deu uma agitada frenética na vida dos jornalistas. Tínhamos um novo caso. Nada de Covid-19, na tarde de ontem, fomos todos parar no Líbano. Todas as notícias de sites, jornais, redes sociais; afinal, quantos mortos podem haver em uma grande explosão? Vai dar views, não é mesmo?

E lá vamos nós contar quantas pessoas deixaram seus entes queridos naqueles 36 segundos apresentados em diversos vídeos. Mais de 50 mortos dizia a primeiro notícia. Mais de 2,7 mil feridos dizia a segunda. Continuamos a contar! Precisamos informar, não é mesmo? Fechamos o dia! Até o final da noite mais 100 mortos e cerca de 4 mil feridos.

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Desculpe! Onde estava mesmo? Lembrei, na sala, no home, na ronda! Tudo o que não queria hoje (05), era o Líbano, porém a consciência de jornalista dizia que precisava informar sobre os fatos, então lá vamos nós. Mergulhei em "www"s" a fim de apurar notícias. "Uma vida salva após 16h sobre escombros". Viva! - "Veja como ficou a cidade de Beirute após a explosão", a consciência disse: clica! E lá fui? olhei foto por foto, li cada legenda, a cada letra o coração reduzia a batida, a lágrima escorreu pelo olhos, pensei "que bom! Aqui ainda tem vida". Mesmo assim a respiração reduzia.

Desisti! Não editei nenhuma matéria, não repliquei nenhuma notícia, deixei fluir através dos dedos o que o coração dizia. Ele gritava "ainda há vida"!

Imaginei o que cada uma daquelas pessoas faziam na hora da inesperada partida ou ferida. Já não bastavam tantas vidas interrompidas durante a pandemia? Pensei em cada família, em cada animal, em cada conquista material que ali foi perdida. Em cada sorriso que virou lágrima, em cada dia que virou noite, em cada respiração que virou fumaça, em cada corpo que virou cinza.

Saí do computador, fiz uma prece, agradeci pela vida e pedi a Deus (para aqueles que acreditam) curar cada alma ferida. Por hoje, não pude mais escrever sobre tantas vidas partidas...

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