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Aventuras de Bolsotrump na ONU

Na ONU, Bolsonaro falou para seu público interno, uma vez que, de há muito, ele perdeu o respeito dos seus pares.

Por Jorge Matos em 23/09/2020 às 12:54:51

Jorge Matos

Foi uma vergonha. Não é a primeira vez, nem será a última, que o presidente ainda sem partido, Jair Bolsonaro, afaga seu líder, ou melhor, seu "mito" Donald Trump. Desta vez o mimo deu-se na abertura dos debates da Assembléia Geral das Nações Unidas, através de discurso gravado e mau lido.

Tomando a si o cargo de "cabo eleitoral" do presidente americano, Bolsonaro criticou duramente a Venezuela e elogiou demagogicamente o fantasioso "plano de paz" entre Israel e os países árabes que, sabe-se, não passa de estratégia eleitoral de Trump.

Assim como Trump, Bolsonaro falou para seu público interno, uma vez que, de há muito, ele sabe que perdeu o respeito dos seus pares, notadamente da Europa. Mas, mesmo internamente, a ópera bufa que tentou interpretar não lhe rendeu frutos positivos. O povo brasileiro já não cai em suas "fake news" como caia em quase dois anos atrás.

Numa tentativa desesperada de melhorar sua péssima imagem internacional, Bolsonaro esmerou-se em acusar os outros pela situação no mínimo calamitosa que o País vem passando, com quase 140 mil mortos pela Covid-19. Aliás, também nesse mister, sua administração se aproxima do "mito" estadunidense. Sobraram acusações aos governadores, prefeitos e até ao judiciário no manejo da crise causada pelo coronavírus. Mentiu desbragadamente ao afirmar que destinou "cerca de" 1 mil dólares em auxílio emergencial para 65 milhões de pessoas, quando na realidade a verba foi apenas metade desse valor e, ainda assim, graças ao Parlamento que impôs 600 reais de auxílio, quando ele pretendia que fosse de 300 reais.

Ainda esforçando-se para afagar Trump, disse que a China, o nosso maior parceiro comercial, é a fonte de todo o mal na questão da pandemia. E que o 5G brasileiro está aberto a quem quiser, desde que respeite a soberania, a liberdade e a proteção de dados, numa clara referencia a chinesa Huawei, líder de infraestrutura de redes que Trump quer alijar dos leilões da nova tecnologia em todo o mundo. Delirantemente, Trum afirma que as redes são inseguras e servem para espionagem.

Sobre a questão ambiental, disse ser vítima de uma campanha de desinformação, mas deixou de dizer que foi o maior responsável pelo desmonte de instrumentos de controle de desmatamentos e queimadas.

Afirmou, sem comprovar, que o derramamento de óleo na costa brasileira em 2019 teria sido criminoso e com o envolvimento da Venezuela.

O afago a sua base evangélica deu-se ao prometer um combate a intolerância religiosa, sem dizer que essa dita "intolerancia" foi inaugurada precisamente no seu (des)governo.

Se a intenção de Bolsonaro era mudar o conceito que o restante do mundo tem do Brasil no momento histórico que vivemos, perdeu o seu nem tão precioso tempo.

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